terça-feira, 30 de novembro de 2010

Realidade (?) Virtual


Ontem fui a uma palestra da ESPM (Nós Digitais) sobre Cibercultura. Apesar de eu não ter ficado muito tempo, um assunto em especial me intrigou: os games que mesclam realidade virtual com a real, pois pessoas e locais estão inseridos dentro do mesmo contexto, utilizando-se da geolocalização.

Em 1953, o brilhante Ray Bradbury escreveu o livro Fahrenheit 451. Nele, as pessoas vivem imersas num mundo de entretenimento, totalmente alienadas e passivas, aceitando tudo aquilo que passa em uma espécie de televisão. Ao mesmo tempo, os bombeiros da ficção não apagam o fogo das casas, mas sim queimam os livros. Trata-se de uma sociedade totalitária, onde aqueles que ousam ler ou se informar, são perseguidos e considerados subversivos. 

O que o livro tem a ver com o contexto dos games? Tudo! Vivemos uma realidade em que o entretenimento está se sobrepondo à cultura. As pessoas dedicam horas e horas ao lazer e esquecem de estudar, pesquisar, ir a fundo nas questões que realmente importam. O problema ainda torna-se mais grave porque essa questão está sendo refletida nas relações humanas. Vivemos a cultura do prazer, ou seja, só está bom enquanto é agradável. Se não é mais, torna-se descartável. Isso é perigoso, pois há sentimentos em jogo, e eles não são perecíveis. Eles permanecem nas pessoas e isso pode estourar a qualquer momento.

É preciso repensar a estrutura dessa realidade. E rápido.

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