segunda-feira, 26 de abril de 2010

"Cor de cinza...solidão"

Quando eu tinha uns 10 anos, li o livro Éramos Seis. A história narrava uma família que, pouco a pouco, ia perdendo seus membros. Não necessariamente por morte, mas eles iam se afastando e no fim Dona Lola, a mãe, encontrava-se completamente só, em um asilo para idosos.
Não tenho medo de terminar como ela, mas talvez não enxergue as possibilidades que vão me levar a não ficar tão solitária. É difícil conseguir superar a si mesma. Tento enxergar um pouco além da miserabilidade da minha existência, mas meu poder de visão fica limitado a enxergar o que há por dentro dos outros, em detrimento do que existe dentro do meu eu mais profundo. Não me conheço completamente, assim como ninguém o faz. O que me diferencia das outras pessoas é o fato de me incomodar o não me conhecer, e talvez a incessante busca pelo autoconhecimento me torne distante e, por assim dizer, inacessível aos demais.
Luto contra mim mesma para tentar ser igual. Dizem que ser normal é chato, que ser da massa é não ser especial. A questão que me toca é: eu sou especial para quem? Talvez essa seja a resposta que preciso, a fim de não tornar ainda mais inquieta essa vida minha...

Um comentário:

  1. Todos somos livros abertos que só conseguimos olhá-lo com clareza através dos espelhos dos relacionamentos.

    Estar sozinho, talvez, seja a maior alegria dessa vida. Um desejo incessante de proteção faz com que nunca olhemos para dentro, para aquela vasta imensidão vazia, daonde brota a criatividade e a beleza.

    Olhar pra dentro não há fórmula, não há método, só há o enxergar... Autoconhecimento não está nos livros, em símbolos ou em palavras.

    O caminho para enxergar esse livro aberto é perceber que a verdade é uma terra sem caminhos.

    Gosto muito de você Lívia.

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