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segunda-feira, 23 de maio de 2011

Das palavras

Este texto não tem por objetivo fazer nenhum sentido. Só quero tirar um peso que tá me corroendo o peito, que está me consumindo os sentidos. Não entendo porquê a maldita e hipócrita sociedade nos impõe valores que ela mesma não traz em si. Critica aqueles que trazem atavismos e preconceitos, mas é ela a primeira a julgar e apontar o dedo para o próximo. Assim, faz com que aqueles que carregam seus defeitos se sintam extremamente culpados de sentir aquilo que lhes é próprio do ser humano.

Sim, sou imperfeita. Sim, tenho minhas qualidades e defeitos. Odeio quando vêm me dizer que estou errada, porque penso que as pessoas não têm o direito de apontar em nós aquilo que desprezam em si mesmas...e sim, antes de falarem do outro, olhem pra dentro de si.

Guardo lágrimas reprimidas porque o mundo considera fraco aquele que chora, eu mesma acabo pensando assim. Eu mesma fui reprimida por derramar gotas salgadas, que saltaram dos olhos, sem pedir licença. Só gostaria de poder ser eu e não mais depender de nada. Só queria não precisar temer dar opiniões, não mais guardar e prender dentro da minh'alma tudo aquilo que carrego. Mas não! Não me escutam...e ainda julgam-me louca por não ser como a maioria. Talvez eu o seja. Talvez esse mundo não seja o lugar que me foi prometido...

domingo, 15 de maio de 2011

Da autoestima


Um dos problemas que mais atinge a sociedade é a autoestima baixa. Muitos problemas de relacionamento ocorrem pela carência da auto-aceitação pois, quando o outro aponta os defeitos que não assumimos ter, nos sentimos de alguma forma atingidos e incomodados. Olhar para dentro de si é uma das maneiras mais difíceis de entender a si mesmo, mas também é a mais eficaz. Só é possível detectar e corrigir um problema quando se olha para ele.

Verificar os problemas que possuímos, mexer na própria imagem e alterar padrões que sempre existiram não é nada fácil. É preciso fazer uma catarse, desmistificar situações que considerávamos perfeitas, sair da zona de conforto para enfrentar aquilo que até então nos tornava prisioneiros de nós mesmos. Quando somos "ofendidos" por alguém apontar um defeito nosso, é porque, no fundo, temos a ciência daquele problema, mas somos orgulhosos demais para assumirmos que o possuímos. Mas ter uma autoestima desejável é ter a consciência de que ele existe e querer mudar, por acreditar que se pode ser melhor, ou aceitar que o tem e não se sentir mal por isso.

Amar a si próprio não significa ter orgulho ou prepotência. Aliás, essas são duas ferramentas que mostram o quão desequilibrada se está a autoestima. Assim como quando se acredita que é um fracasso. Ninguém está tão mal a ponto de só piorar ou tão bem a ponto de ser a melhor das criaturas. O trabalho de auto-aceitação não tem como propósito ser perfeito, mas sim ter o equilíbrio necessário para ser feliz.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Da indústria cultural


Esses dias, um dos assuntos que mais está na mídia é a venda dos ingressos para o Rock in Rio, evento que atrai milhares de jovens de todo o país para assistir shows de seus artistas favoritos. Até aí, ótimo. É excelente ter um incentivo como esse à cultura, onde as pessoas terão acesso a músicas e estilos que não necessariamente conheciam, assim como aos que já curtem e que adoram. Entretanto, há um ponto a ser questionado: a industrialização da cultura.

Os ingressos para o Rock in Rio estão sendo vendidos a preços exorbitantes. Em 2001, ano da última edição do evento no Brasil, a entrada saiu por R$ 35 por dia, preço esse que todos poderiam pagar. Este ano, estão sendo vendidos a quase R$ 100 a meia-entrada. É a prova de que a cultura e se tornou de fato uma indústria, onde é preciso tirar do valor do trabalho próprio e do seu esforço diário para ter um mínimo de lazer. Claro que sou a favor dos momentos de lazer, de brincadeira, de sair, mas acho que é preciso ter um mínimo de bom senso na hora de pagar um preço desses por um único dia de diversão. Pelo menos, esse é o meu pensamento.

A tendência desse tipo de situação é só piorar. Vemos atrações como cinema, teatro, transformarem-se em negócios. É triste ver o quanto a cultura é elitista, quando ela deveria ser acessível a todos, e não somente àqueles que podem pagar para tê-la.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Da coragem


Uma das virtudes mais nobres do ser humano é a coragem. Rara, ela traz em si vários outros valores importantes, como a honradez e a lealdade. Vive-se num mundo onde a covardia, o medo e a insegurança tomam conta da sociedade, mas ainda existem sentimentos puros, que elevam o homem à condição de ser social, capaz de inúmeros sacrifícios não por si só, mas também pelo outro.

Todos os dias, a mídia joga uma enxurrada de notícias contendo casos de crueldade: crianças sendo assassinadas, animais sendo torturados, pais dando drogas aos filhos. Um mundo em que tragédias e atrocidades são consideradas normais só pode ter algum problema estrutural. É preciso combater esse tipo de situação, porque isso não é "normal". Nos acostumarmos com o "normal" está errado!

Para encerrar esse post, segue um pensamento de Bertolt Brecht (1898-1956) que, mesmo antigo, permanece atual.

"Nós vos pedimos com insistência:
Nunca digam - Isso é natural!
Diante dos acontecimentos de cada dia,
Numa época em que corre o sangue
Em que o arbitrário tem força de lei,
Em que a humanidade se desumaniza
Não digam nunca: Isso é natural
A fim de que nada passe por imutável."

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Do respeito e da opinião


Não sei se é porque eu sou jornalista, mas uma das coisas que mais me incomoda é reprimirem a minha liberdade de expressão. Meu espaço na internet, ou seja lá onde for, é pra ser respeitado. Não escrevo pensando se estou agradando ou não, mas sim pra desafogar um pouco dos meus pensamentos e opiniões. Nem sempre podemos fazer com que as pessoas aceitem aquilo que pensamos, mas o importante é que não venham tentar nos convencer a não dizer. 

"Não concordo com uma palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte o vosso direito de dizê-lo" (Voltaire)

A sociedade seria mais tranquila se todos respeitassem o espaço uns dos outros. Ontem, navegando na net, vi um vídeo sobre umas garotas que, numa atitude no mínimo selvagem, espancaram um transexual que estava no McDonald's. Em que mundo vivemos? É preciso rever nossos conceitos para que situações como essa não se repitam.


sexta-feira, 22 de abril de 2011

Desabafo 2


Cá estou eu, entre pensativa e triste. Muitas vezes, tenho vontade de desistir e não mais estar entre as pessoas. Elas são cruéis e machucam, pisam e trituram nossos sentimentos. Por conta de seu orgulho cretino e sua vaidade desenfreada, não são capazes de enxergar aquilo que lhes está tão óbvio. Muitas vezes, me sinto como o Zaratustra, que Nietzsche tão sabiamente descreveu.

“Riem-se — disse o seu coração. — Não me compreendem; a minha boca não é a boca que estes ouvidos necessitam.
Terei que principiar por lhes destruir os ouvidos para que aprendam a ouvir com os olhos? Terei que atroar à maneira de timbales ou de pregadores de Quaresma? Ou só acreditarão nos gagos?
De qualquer coisa se sentem orgulhosos. Como se chama então, isso de que estão orgulhosos? Chama-se civilização: é o que se distingue dos cabreiros.
Isto, porém, não gostam eles de ouvir, porque os ofende a palavra “desdém”."

Muitas vezes, sou chamada de louca pelas pessoas que estão à minha volta. Seria eu louca? Talvez...se por louca puder ser eu diferente e capaz de enxergar além do que esses míseros mortais são capazes de ver. Se for isso, então eu serei a primeira a assim me denominar. Porque já não aguento mais essas pessoas que só veem as aparências e que não olham os sentimentos. Tristes e vazios devem ser por dentro, pois vivem buscando nos prazeres efêmeros aquilo que não possuem dentro de si.

"Dizem que sou louco por pensar assim
Se eu sou muito louco por eu ser feliz
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz
Eu juro que é melhor
Não ser o normal
Se eu posso pensar que Deus sou eu
Se eles têm três carros, eu posso voar
Se eles rezam muito, eu já estou no céu"

Bem...esse post foi só uma forma de tirar a decepção que trago...e quanto mais conheço as pessoas, mais vontade tenho de me calar. E deixar que eles próprios frustem suas próprias experiências desastrosas...

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Da paixão doentia


Dentre os sentimentos que dominam os seres humanos, creio que não exista nenhum que leve as pessoas às últimas consequências como a paixão. Em casos extremos, ela faz com que pessoas se escravizem por outras, modificando completamente hábitos, gostos e personalidades. A paixão desenfreada pode beirar a loucura, pois a pessoa acredita depender da outra para respirar.

Claro que existem uma série de fatores que levam a pessoa a se apaixonar loucamente por outra, mas nada que possa ser logicamente explicado. E há uma diferença tênue entre o amor e a paixão. O primeiro é construído, é criado a cada dia, nas dificuldades, nas adversidades e no cultivo. A paixão avassaladora é capaz de tirar o juízo, criando uma série de obstáculos ao equilíbrio. Ela gera o medo de perder, o ciúme, a desconfiança. 

De acordo com diversas correntes psicológicas e estudos científicos, a paixão tem tempo definido para acabar - cerca de 2 anos (fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u14236.shtml). Então, quando acontecer aquela sensação arrebatadora, na qual você não é capaz de controlar seus sentidos por uma outra pessoa, analise se não está apaixonado. E, se estiver, tente ao máximo controlar isso, porque ela pode levar aos nossos impulsos mais primitivos. Não estou aqui pra dizer que estar apaixonado é ruim, mas há uma diferença entre o gostar saudável e aquele que esgota a nós mesmos, fazendo com que percamos o rumo.
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