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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Dos Desejos



Quando eu tinha 14 anos, "tirei a sorte" num realejo. Eu morava em Campinas/SP e estava pra voltar a morar em Niterói/RJ. O papelzinho dizia que eu faria uma longa viagem e que, nela, eu encontraria o moço que seria o dono do meu coração. Quem conhece a minha história, sabe que comecei a namorar pouco depois que voltei de Campinas.

Sonhos ou não, a questão aqui não é em que se deve acreditar. Mas os sonhos, os desejos, as vontades, estão aí pra se tornarem realidade na medida em que se acredita. Eu achei bonitinho o recado do realejo, mas não dei a mínima pra ele. Talvez se eu tivesse ficado concentrada naquilo e depositasse todas as minhas esperanças num simples pedaço de papel, ele não teria acontecido. Entretanto, a coisa aconteceu naturalmente. 

Muitas coisas que queremos e desejamos podem não acontecer da maneira que queremos. Não sabemos o que está por vir ou qual será o nosso futuro. Podemos, no entanto, fazer as coisas da maneira correta, agir de modo consciente e coerente, de acordo com nossos princípios. A partir daí a coisa flui para o que tiver de ser. E torçamos para que nossos pedidos sejam coerentes com nossas necessidades. Porque não adianta acreditar somente em sorte, é preciso moldar o nosso caminho.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Da esquizofrenia



Algumas pessoas reinventam-se, tentam mudar aquilo que são, passam imagens loucas de pessoas que estão tentando se superar para conseguirem se reerguer. São pessoas infelizes, que viviam num mundo bom, mas que não volta mais, por mais que se esforce para que ele volte a sê-lo. Eu também passei por essa fase, e me pergunto o quão esquizofrênica sou; o quão esquizofrênicas são as pessoas que, embora saibam que aquele mundo não vai ser rodeado de flores, insistem em vivê-lo.

Muitas pessoas não estão prontas para viver a felicidade em sua plenitude. Elas estão tão acostumadas a viver no pântano, no limbo, que não suportam o despertar do sol, a claridade, a beleza em toda sua imensidão. Não que elas não devam tentar, mas está tão escrito que a coisa não é, que seria até maldade dizer: não o faça.

Algumas pessoas precisam viver de sonhos para existirem. Não aguentam a dura realidade. Creio que a maioria das pessoas seja assim. Vivem aquele mundo de sonhos pra poderem acreditarem que ainda vale a pena estar vivo. Sei lá...simplesmente penso que o mundo vive um sem-sentido de tudo. E dessa vez realmente não me importo com os comentários que virão por aqui. Porque se nada faz sentido, tampouco o fará esse post. A não ser para aqueles que em nada a vida faz sentido,assim como a minha. Dedico àqueles que talvez estejam mais perdidos do que eu e inventem um caminho para tentarem a salvação de suas pobres almas...

domingo, 31 de julho de 2011

Dos sonhos



Será possível amar algo que você desconhece? Existindo, será que amaria da mesma forma? Ou melhor: será amor? Que sentimento é esse que me toma, me assombra, me tange e desaparece com a mesma força e intensidade que surgiu. Mas não, que é que vem, não tendo forma, transparente, sem jeito e que fica e some. Tento dar às pessoas um pouco dessa sensação louca, mas as pessoas não são capazes de compreender. E será que eu mesma consigo compreender? Seria eu a louca que inventa os sentimentos e as sensações, ou elas que me tomam?

Não sei mais o que pensar disso. Só sei que sinto, que vejo, que me perco nos meus devaneios mais sinceros, e que ninguém mais é capaz de enxergar. Solitário e triste é esse sentimento, perdido nos meus pensamentos e nas minhas emoções. Gostaria de nada ver, de simplesmente poder seguir adiante com a realidade que nos cerca, mas os sonhos insistem em permanecer...e muitas vezes não sei como distinguir o que é real daquilo que é criado. E ambos se confundem, são indissociáveis e me transformam nessa que vos fala: aquela que tenta tirar a dor do mundo de dentro de si.

domingo, 24 de julho de 2011

Do amadurecimento






Sinto falta do tempo que poderia ter sido e não foi...daquele tempo em que nós éramos nós, sem tempo, sem espaço, sem distância. Talvez ainda seja assim, num mundo colorido, que a realidade ainda não chegou, ainda não mudou, ainda não perdeu...


Porque o meu mundo, meu mundo próprio é cheio de cor, é cheio de lembranças, é pleno de esperança. Mas esse mundo se confronta com a triste e enorme realidade, com a dor que machuca, que calcifica o que eu acredito, que não é capaz de consolidar e de manter aquilo que se sonha.


Dizem que viver é melhor que sonhar...será? Será que é possível conseguir transformar aquele sonho, aquela vivência irreal, tudo o que se espera de uma vida perfeita? A esperança é um dos maiores martírios, pois ela dá a conotação de um mundo bom, de algo perfeito da maneira que está em nossas mentes, mas aí vem a realidade e transforma tudo, modifica, adapta ao modo que se é, que é completamente diferente daquilo que se espera.


Escrevo, porque estava guardando demais essas questões dentro de mim. Não que meu momento seja o pior...longe disso...mas não é aquilo que eu esperava, que eu um dia acreditei, que nós acreditamos. Crescer talvez seja isso, desconstruir tudo aquilo que um dia se esperou, se viveu...ou se sonhou.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Das palavras

Este texto não tem por objetivo fazer nenhum sentido. Só quero tirar um peso que tá me corroendo o peito, que está me consumindo os sentidos. Não entendo porquê a maldita e hipócrita sociedade nos impõe valores que ela mesma não traz em si. Critica aqueles que trazem atavismos e preconceitos, mas é ela a primeira a julgar e apontar o dedo para o próximo. Assim, faz com que aqueles que carregam seus defeitos se sintam extremamente culpados de sentir aquilo que lhes é próprio do ser humano.

Sim, sou imperfeita. Sim, tenho minhas qualidades e defeitos. Odeio quando vêm me dizer que estou errada, porque penso que as pessoas não têm o direito de apontar em nós aquilo que desprezam em si mesmas...e sim, antes de falarem do outro, olhem pra dentro de si.

Guardo lágrimas reprimidas porque o mundo considera fraco aquele que chora, eu mesma acabo pensando assim. Eu mesma fui reprimida por derramar gotas salgadas, que saltaram dos olhos, sem pedir licença. Só gostaria de poder ser eu e não mais depender de nada. Só queria não precisar temer dar opiniões, não mais guardar e prender dentro da minh'alma tudo aquilo que carrego. Mas não! Não me escutam...e ainda julgam-me louca por não ser como a maioria. Talvez eu o seja. Talvez esse mundo não seja o lugar que me foi prometido...

domingo, 15 de maio de 2011

Da autoestima


Um dos problemas que mais atinge a sociedade é a autoestima baixa. Muitos problemas de relacionamento ocorrem pela carência da auto-aceitação pois, quando o outro aponta os defeitos que não assumimos ter, nos sentimos de alguma forma atingidos e incomodados. Olhar para dentro de si é uma das maneiras mais difíceis de entender a si mesmo, mas também é a mais eficaz. Só é possível detectar e corrigir um problema quando se olha para ele.

Verificar os problemas que possuímos, mexer na própria imagem e alterar padrões que sempre existiram não é nada fácil. É preciso fazer uma catarse, desmistificar situações que considerávamos perfeitas, sair da zona de conforto para enfrentar aquilo que até então nos tornava prisioneiros de nós mesmos. Quando somos "ofendidos" por alguém apontar um defeito nosso, é porque, no fundo, temos a ciência daquele problema, mas somos orgulhosos demais para assumirmos que o possuímos. Mas ter uma autoestima desejável é ter a consciência de que ele existe e querer mudar, por acreditar que se pode ser melhor, ou aceitar que o tem e não se sentir mal por isso.

Amar a si próprio não significa ter orgulho ou prepotência. Aliás, essas são duas ferramentas que mostram o quão desequilibrada se está a autoestima. Assim como quando se acredita que é um fracasso. Ninguém está tão mal a ponto de só piorar ou tão bem a ponto de ser a melhor das criaturas. O trabalho de auto-aceitação não tem como propósito ser perfeito, mas sim ter o equilíbrio necessário para ser feliz.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Da indústria cultural


Esses dias, um dos assuntos que mais está na mídia é a venda dos ingressos para o Rock in Rio, evento que atrai milhares de jovens de todo o país para assistir shows de seus artistas favoritos. Até aí, ótimo. É excelente ter um incentivo como esse à cultura, onde as pessoas terão acesso a músicas e estilos que não necessariamente conheciam, assim como aos que já curtem e que adoram. Entretanto, há um ponto a ser questionado: a industrialização da cultura.

Os ingressos para o Rock in Rio estão sendo vendidos a preços exorbitantes. Em 2001, ano da última edição do evento no Brasil, a entrada saiu por R$ 35 por dia, preço esse que todos poderiam pagar. Este ano, estão sendo vendidos a quase R$ 100 a meia-entrada. É a prova de que a cultura e se tornou de fato uma indústria, onde é preciso tirar do valor do trabalho próprio e do seu esforço diário para ter um mínimo de lazer. Claro que sou a favor dos momentos de lazer, de brincadeira, de sair, mas acho que é preciso ter um mínimo de bom senso na hora de pagar um preço desses por um único dia de diversão. Pelo menos, esse é o meu pensamento.

A tendência desse tipo de situação é só piorar. Vemos atrações como cinema, teatro, transformarem-se em negócios. É triste ver o quanto a cultura é elitista, quando ela deveria ser acessível a todos, e não somente àqueles que podem pagar para tê-la.
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