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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Caixa de Pandora

Esse post é um desabafo. Quero, mais uma vez, tirar o peso do mundo de dentro do peito. Venho guardando há tempos aquilo que me prende, aquilo que não se solta, coisas que fazem falta e que eu nem sei ao certo do que se trata. Queria poder tirar, gritar, desamarrar esses nós que carrego comigo. São nós que guardo em meu coração e que tenho muita dificuldade em desatar.

Se ele tem nome? Não sei, sinceramente. Talvez eu guarde dentro de mim todo o amor do mundo e não saiba direcionar...e acabe usando ele contra mim mesma. Não contra as pessoas, mas acabo sufocando de tal forma que acabo por naufragar. Ajo assim porque tenho pavor de passar novamente por aquilo que um dia eu passei. Não sei se aguento passar por outras desilusões. A partir desse momento, me forcei a desacreditar em sonhos de criança, em esperança, em beleza, em uma palavra, perdi minha fé na humanidade, coisa que jamais concebi que aconteceria.

Nesse momento, coloco em palavras um pouco do sentimento que me corrói. Talvez seja exagerado, superlativo, gritante. Mas são os MEUS sentimentos, e deles só eu posso tomar conta. Ando por aí tentando encontrar onde eu possa distribuir um pouco desse carinho e vontade de cuidar que me assola...busco nas cores, nos animais e nas poucas pessoas que talvez me recebam de bom grado...porque sei que a maioria não compreende os sentimentos - sentimentos esses que eu também cismo em dizer que não existem mais, mas que pululam e teimam em emergir e tentar sair da minha caixa de Pandora...

Talvez nada disso faça sentido, mas só escrevi pra desafogar e respirar um pouco do ar libertador da noite amiga...

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Do Aborto


"Quem aqui não teve uma namoradinha que teve que abortar?" - Sérgio Cabral, Governador do Estado do Rio de Janeiro, em evento para empresários


A pergunta do governador reflete a questão que vem sendo mal abordada durante muito tempo na sociedade: o aborto. Antes que me perguntem, afirmo: sou contra. Sei as consequências espirituais desse ato, sei o quanto o perispírito fica marcado devido a esse ato, sei o quanto aqueles que querem reencarnar ficam ao serem vítimas desse crime. Sim, nesse sentido recorro à minha religião, e talvez muitos sejam contra. Mas se é algo que eu acredito, por que negar e não recorrer à crença?

As pessoas, de uma maneira geral, são completamente irresponsáveis e não medem as consequências de seus atos. Ora, existem inúmeros métodos contraceptivos. Existem diversos programas de conscientização, propagandas sobre camisinha, entre outros. A pílula do dia seguinte e o anticoncepcional estão aí e existem em diversos valores, qualquer pessoa tem acesso a eles. Entretanto, num momento de prazer, a menina esquece de se proteger e acaba engravidando. A culpa disso é de quem? Da criança? A criança não se faz sozinha. E o cara, por que não usou camisinha ou cobrou que a menina se cuidasse?

Em caso de estupro, ainda que não seja culpa da mulher, ainda assim sou contra o assassinato de uma criança que nada tem a ver com aquele ato. Não quer viver com o fruto de um crime? Dê a criança para adoção...existem tantas mulheres que gostariam de ter um filho e não conseguem! É ruim dar pra adoção? É. Mas é melhor do que matar. E não é porque a criança não saiu da barriga que ela não existe. Ela é um ser vivo, que iria crescer e se tornar um ser humano.

Não julgo quem faça aborto, cada cabeça é uma sentença. Esse post serve somente para alertar as pessoas do que pode acontecer, e que as dívidas espirituais acontecem assim. Sei que existem diversos fatores que podem levar alguém a cometer um aborto, mas considere muito e saiba que serão pedidas contas de seus atos. Pense bem nisso!

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Realidade (?) Virtual


Ontem fui a uma palestra da ESPM (Nós Digitais) sobre Cibercultura. Apesar de eu não ter ficado muito tempo, um assunto em especial me intrigou: os games que mesclam realidade virtual com a real, pois pessoas e locais estão inseridos dentro do mesmo contexto, utilizando-se da geolocalização.

Em 1953, o brilhante Ray Bradbury escreveu o livro Fahrenheit 451. Nele, as pessoas vivem imersas num mundo de entretenimento, totalmente alienadas e passivas, aceitando tudo aquilo que passa em uma espécie de televisão. Ao mesmo tempo, os bombeiros da ficção não apagam o fogo das casas, mas sim queimam os livros. Trata-se de uma sociedade totalitária, onde aqueles que ousam ler ou se informar, são perseguidos e considerados subversivos. 

O que o livro tem a ver com o contexto dos games? Tudo! Vivemos uma realidade em que o entretenimento está se sobrepondo à cultura. As pessoas dedicam horas e horas ao lazer e esquecem de estudar, pesquisar, ir a fundo nas questões que realmente importam. O problema ainda torna-se mais grave porque essa questão está sendo refletida nas relações humanas. Vivemos a cultura do prazer, ou seja, só está bom enquanto é agradável. Se não é mais, torna-se descartável. Isso é perigoso, pois há sentimentos em jogo, e eles não são perecíveis. Eles permanecem nas pessoas e isso pode estourar a qualquer momento.

É preciso repensar a estrutura dessa realidade. E rápido.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Violência, ataques e prisões

A polícia enfim conseguiu "dominar" o Complexo do Alemão e a Vila Cruzeiro, algumas das regiões mais violentas do Rio. Lá, como a Globo sempre faz questão de lembrar, é onde o jornalista Tim Lopes foi assassinado barbaramente. Tudo muito bonito. As forças armadas todas se uniram em prol da sociedade, de tirar a bandidagem dos morros, de desarmar aqueles que formam as "forças do mal". Agora, a sociedade vai estar protegida de bandidos, traficantes e toda espécie de problema naquela região. Parece que tudo vai dar certo no Rio. Será?

O sistema carcerário brasileiro só permite que cada preso permaneça até, no máximo, 30 anos na cadeia. Ou seja, a prisão perpétua não existe. O cara pode ter sido assassino, estuprador, serial killer. Ele só vai cumprir 30 anos de pena. Se ele tiver bom comportamento dentro da cadeia, a pena ainda é atenuada. Existe também o indulto de Natal. Fora que eles ficam à toa dentro das celas, enquanto nós pagamos impostos caros para manter os caras que matam nossas famílias num ócio infundado.


Ainda há outro problema grave: a corrupção dentro das corporações. Com algum dinheiro, é possível pagar propina aos policiais, que deixam os condenados agirem conforme eles querem. Podemos ver isso quando sabemos que presos têm acesso a celulares, visitas íntimas, entre outras regalias. Ora, o cara vai, trafica drogas, mata um monte de gente e ainda não é obrigado a trabalhar. Que sistema é esse? Só pode ser piada, né?

Sinceramente, não acredito na recuperação da maioria desses bandidos. Ao mesmo tempo, não sou a favor da pena de morte. Sou a favor de manter eles num sistema de trabalhos forçados, braçais mesmo. Limpar bueiros e quebrar pedras. Pra comerem, eles deveriam plantar a própria comida, matar e criar os animais que queiram comer. Se eles não agem como seres humanos, também não devem ser tratados como tal...

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Intolerância e derespeito



Creio que um dos assuntos mais polêmicos dessa semana foi a agressão cometida por  três militares contra um jovem homossexual logo após a Parada Gay do Rio, que ocorreu no domingo. O jovem e o namorado foram abordados e o estudante Douglas Igor Marques Luiz, de 9 anos, foi baleado na barriga, nas pedras do Arpoador, em Ipanema. O episódio reflete como as pessoas ainda estão despreparadas para lidar com tudo aquilo que é diferente.


Há algum tempo, fiz um post criticando os estudantes da Unesp por terem realizado um "rodeio das gordas". Hoje, a introdução é diferente, mas a temática permanece a mesma: a incapacidade do ser humano em lidar com as diferenças. Creio que a charge acima retrate bem o que acontece. Todos exigem respeito e igualdade quando estão de um lado da moeda. Entretanto, quando o fato esbarra nos preconceitos e moralismos hipócritas da sociedade, os indivíduos prezam pela "moral e bons costumes". Mas quem foi que ditou essas regras de comportamento? Quem foi que disse que é errado ser homossexual? Será que os indivíduos não podem ser livres?

Penso que todos temos algum tipo de preconceito. É hipocrisia dizer que não. Entretanto, é necessário esforço para mudar esse quadro. São visões de mundo que permanecem enraizadas na sociedade desde os tempos remotos. Até quando isso vai permanecer? Será que o avanço no planeta é somente nas áreas tecnológicas? O ser humano não é capaz de acompanhar o progresso também em suas ideias? É triste. Mas é preciso mudar. Repensar todos os dias as atitudes e verificar o que é preciso modificar em si, para que esse mundo ainda tenha alguma salvação.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Muita calma nessa hora


Seguindo a onda dos filmes nacionais, "Muita calma nessa hora" vem aos cinemas com alguns dos maiores nomes do humor atual: Marcelo Adnet, Bruno Mazzeo, Marcelo Tas, entre outros. O filme conta a história de três amigas que, desiludidas com os homens, vão passar uma temporada em Búzios. Ao mesmo tempo,  mostra a história de Estrela, uma menina hippie que procura seu pai. 

Jovem, "Muita calma" retrata o universo dos vinte e poucos anos, misturando um "quê" de Confissões de Adolescente com Gossip Girl. São meninas que, acima de tudo, querem curtir, conhecer outros meninos e esquecer a vida atribulada na cidade grande. O filme não é lá muito pretensioso, mas diverte. As cenas em que os meninos do "Hermes e Renato" aparecem são impagáveis, pois caracteriza perfeitamente um grupo de amigos solteiros, que só saem para zoar por aí.

"Muita calma nessa hora" é interessante porque mostra as belezas do cenário de Búzios e não é mais um filme que só mostra as desgraças das favelas do Rio ou a miséria do nordeste brasileiro. É leve e rende boas risadas, sendo uma ótima pedida para aqueles que querem relaxar e esquecer um pouco dos problemas do dia-a-dia.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Pior que tá? Fica sim!


"Vote no Tiririca! Pior do que tá, num fica!" - slogan da campanha do candidato
"'De 10 vocábulos que escreveu, Tiririca errou nove', diz promotor" - Site da Revista Época

Tentei me abster de comentários sobre a eleição do Tiririca, já que me considero anarquista e não sou a favor do governo. Ideologias à parte, entretanto, venho aqui falar não exatamente sobre a eleição em si, mas sobre a precariedade do ensino no país. Sim, é um absurdo uma pessoa disputar um cargo público sem saber ler ou escrever. O erro, no entanto, não é do humorista, mas do sistema precário e falido de ensino. 

Os jovens que frequentam as escolas aprendem a decorar palavras, fórmulas e a fazer contas. Entretanto, não aprendem a pensar: são analfabetos mais que funcionais, são pessoas que não pensam por si só, mas que engolem aquilo que lhes impõem. Esse fato é tão comum no país que não é só visto em lugares carentes. Há uma cultura do não-pensar, do absorver notícias por osmose, do enxergar somente aquilo que é dito. Sei que esse não é um fato isolado no mundo, que ocorre em diversas outras sociedades, mas penso que por aqui a coisa é mais generalizada. As pessoas se contentam em saber o necessário, a ficar no supérfluo, na superfície.

A candidatura de um pobre humorista que veio de uma triste realidade é somente a ponta do iceberg. Sinceramente, não o culpo. Ele é apenas mais uma vítima de um sistema que não ensina novos valores, mas que corrompe os cidadãos, impedindo-os de analisar criticamente, de repensar suas próprias existências ou do mundo que os cerca. Claro que existe o fator acomodação, já que existem indivíduos que, mesmo dentro desse mundo, conseguem sair da bolha em que estão inseridos para tentar mudar. Mas são tão poucos! É preciso tentar alterar isso...já não estamos mais em tempo de olhar o mundo sem participar dele. Diversos pensadores e filósofos vêm nos alertando há diversos séculos sobre a necessidade de mudanças. Até quando veremos palhaços mandando em nós?
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